Branca, preta e vermelha – a camisola que as crianças estão a pedir
Não é a mais vistosa. Não tem as cores vivas do Brasil ou de Portugal. Mas é uma das mais elegantes. Branca, com riscas pretas e um detalhe vermelho. A camisola da Alemanha. Durante anos, foi associada a um futebol eficaz mas frio. Agora, mudou. A nova geração alemã é jovem, criativa e divertida. Jamal Musiala, Florian Wirtz, Kai Havertz. Jogadores que sorriem em campo. Jogadores que tentam o impossível. E as crianças portuguesas estão a reparar.
O meu sobrinho tem nove anos. Até há pouco tempo, só falava de Cristiano Ronaldo. Óbvio. Mas um dia viu um vídeo de Musiala na internet. Uma arrancada, um túnel, um golo. "Tio, quem é este?" perguntou. Eu disse-lhe que era um jovem alemão, muito talentoso. Ele quis saber mais. Viu mais vídeos. E pediu uma camisola da Alemanha. Não com o nome de Musiala, mas com o dele próprio. "Eu não sou o Musiala", disse. "Sou o Tomás." A mãe dele encontrou uma versão mais acessível. Quando a camisola chegou, ele vestiu-a por cima do pijama. Não a tirou durante dois dias.
A Alemanha já não é a máquina que ganhou o Mundial de 2014. Os últimos anos foram difíceis. Mas para as crianças, isso não interessa. Elas veem Musiala a rir-se enquanto joga. Veem Wirtz a tentar passes impossíveis. Veem um país que está a reconstruir-se. E isso é mais interessante do que ver um país que já ganhou tudo.
Uma mãe de Lisboa contou-me que a sua filha, de oito anos, viu um jogo da seleção alemã na televisão. "Mãe, aquelas camisolas são tão bonitas", disse. A mãe procurou, comparou preços e encontrou uma alternativa. Quando a camisola chegou, a menina vestiu-a e foi para a escola no dia seguinte. A professora perguntou se havia alguma ocasião especial. "Não", respondeu. "Hoje sou alemã."
A Alemanha tem também uma equipa feminina forte. Alexandra Popp, Lena Oberdorf. As raparigas portuguesas conhecem-nas. Veem-nas jogar, veem-nas festejar. Querem a mesma camisola. Não uma versão cor-de-rosa. A mesma branca, com as riscas pretas e vermelhas. Com a mesma águia. Com o mesmo orgulho.
Um pai de Coimbra comprou uma camisola da Alemanha para a sua filha. Ela queria o nome de Popp. Ele encontrou uma versão mais barata online. Quando a camisola chegou, a menina vestiu-a e olhou-se ao espelho. "Pai, agora pareço uma jogadora a sério", disse. Usou-a durante todas as férias.
A seleção alemã está a mudar. Os velhos heróis, como Manuel Neuer e Thomas Müller, já não são os mesmos. Os novos, como Musiala e Wirtz, estão a chegar. As crianças que os seguem agora vão crescer com eles. Daqui a dez anos, vão dizer: "Eu vi o Musiala a começar." E vão ter a camisola como recordação.
Quando se procura uma "Camisa de futebol Alemanha Infantil", não se procura luxo. Procura-se uma forma de fazer uma criança feliz. De a fazer sentir parte de algo maior. As crianças crescem. As camisolas ficam pequenas. Sujam-se, rasgam-se, perdem-se. Não é possível comprar uma camisola original todas as épocas. Não há vergonha nisso.
Uma mãe do Porto comprou uma camisola da Alemanha para o seu filho com o nome dele próprio. O menino nem tinha pedido. Ficou sem palavras. "Mãe, esta é minha!" Vestiu-a e saiu para a rua. Jogou à bola durante horas. Quando voltou, a camisola estava cheia de nódoas de relva, mas ele sorria. "Fiz seis golos", disse. "Todos para a Alemanha."
A Alemanha tem uma história longa no futebol. Beckenbauer, Matthäus, Klose. As crianças não conhecem esses nomes. Conhecem Musiala. Conhecem Wirtz. E conhecem a camisola branca. É o elo de ligação entre gerações. O pai lembra-se do Mundial de 1990. O filho admira Musiala em 2024. Ambos vestem a mesma camisola.
Por isso, se o seu filho pedir a camisola branca – diga sim. Não precisa de comprar a mais cara. A criança vai ser igualmente feliz. Porque quando vestir aquela camisola, com o seu próprio nome ou o de Musiala, já não vai ser uma criança qualquer. Vai estar no estádio. Vai ser um herói. Nesse momento, não importa de onde veio a camisola. Só importa a alegria. E essa é verdadeira. É branca, preta e vermelha. É da Alemanha. Mas, acima de tudo, é dela.






























































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































