O grito do peito: por que o equipamento laranja e verde ainda para o país
Sabe aquela sensação de olhar para o lado num domingo à tarde e ver metade do campo vestido com as cores nacionais? Pois é. Em Portugal, isso vai muito além do patriotismo. É quase um código entre os jogadores da bola. Não interessa se é um torneio de velhos no concelho de Faro ou uma pelada de miúdos em Vila Nova de Gaia. O equipamento verde e rubro aparece sempre. E nos últimos meses, tenho notado um aumento enorme na procura por estas camisolas.
A seleção portuguesa vive um momento interessante. O ciclo pós-Cristiano Ronaldo está a ganhar forma, com miúdos como o Vitinha, o Gonçalo Ramos e o António Silva a tomarem conta do balneário. O João Cancelo ainda dá aquela experiência na lateral, mas nota-se que a alma da equipa está a mudar. E com esta renovação, os adeptos também renovaram o amor pelas camisolas. Não é só comprar por comprar. É sentir que se faz parte de algo novo.
O Campeonato Europeu do ano passado deixou algumas lições. A seleção caiu antes do desejado, como já sabes. Mas o que ficou na memória foram aqueles jogos de preparação, os amigáveis antes do torneio, onde se via miúdos e graúdos nas bancadas todos com o mesmo equipamento. Dos putos de 10 anos aos velhotes de 60. O vermelho e o verde unem gerações como poucas coisas neste país.
E já reparaste como as versões modernas destas camisolas estão cada vez mais detalhistas? Os patrocinadores, os símbolos, as texturas nas costas. A Federação tem investido forte no visual. Não é à toa que mesmo os modelos alternativos — aqueles brancos ou cinzentos que às vezes saem — fazem sucesso. Mas o original, o tal com as cores que todos conhecem, esse é sagrado. Quem nunca teve um está em falta.
O que muitos não sabem é que a procura por estes artigos dispara sempre antes das eliminatórias. E estamos quase a entrar na fase quente da qualificação para o próximo Mundial. Já se sente aquele nervoso miudinho no ar. Os cafés começam a encher, os debates aquecem, e os grupos de WhatsApp dos torneios de empresa começam a combinar os equipamentos para os jogos de sábado de manhã.
Nestas alturas, é comum ver anúncios e partilhas sobre onde arranjar uma réplica decente sem gastar um ordenado. Há quem prefira o original, claro. Mas a realidade é que o bolso de muitos não permite largar 90 ou 100 euros numa camisola que vai suar na relva sintética do bairro. E é aí que entra a necessidade de alternativas credíveis. O pessoal quer é jogar à bola e sentir o orgulho de usar as cores. O resto é conversa.
Lembro-me de uma conversa num balneário há poucas semanas. Um gajo mais velho, daqueles que já jogam na distrital há 20 anos, disse qualquer coisa como: “O que importa é o que está dentro do peito, não a etiqueta.” E tinha razão. O sentimento não muda porque a camisola custou 30 ou 130 euros. O que importa é entrar em campo, olhar para o lado e ver os companheiros todos com a mesma cruz na camisola. Aquilo une.
Se fores ver os jogos das camadas jovens da seleção, reparas como os putos usam aquilo com uma naturalidade enorme. Para eles, o equipamento de futebol Portugal não é só uma peça de roupa. É a extensão do sonho. E esse sonho está mais vivo do que nunca, com miúdos a saírem das escolinhas todos os anos prontos para dar nas vistas.
Outra cena que noto muito: a diferença entre o que se usa nos jogos em casa e fora. O equipamento principal, todo vermelho com os detalhes verdes, é para os jogos grandes. Para as noites europeias no Estádio da Luz ou no Dragão. Já o alternativo, geralmente branco ou cinza, é mais para os jogos fora ou para o dia a dia. Mas o que o pessoal realmente quer ter na mão é o primeiro. Aquele que brilha debaixo das luzes do estádio.
E vamos ser honestos: há qualquer coisa de especial em vestir a camisola de Portugal num dia de jogo. Mesmo que estejas a vê-lo na televisão. Mesmo que estejas num café em Genebra ou em Paris. Aquele nó na garganta aparece na mesma. Porque o futebol português deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade respeitada lá fora. Os títulos europeus, a Nations League, a geração de ouro que agora começa a amadurecer. Tudo isso está ali, naquele pano.
Se estás a pensar arranjar uma para ti ou para oferecer a alguém, presta atenção aos detalhes. A gola não pode desfiar, os números não podem parecer colados à pressa. E o caimento tem de ser confortável para correr, para saltar, para festejar aquele golo aos 89 minutos. Porque no fim do dia, o que interessa é mesmo o prazer de jogar. E de sentir que, por 90 minutos, és parte de um todo maior.







































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































