O vermelho e verde que nunca sai de moda
Há uma coisa que nunca falha. Quando se chega a qualquer campo de futebol infantil ao fim de semana, vê-se um mar de camisolas vermelhas. Não são todas iguais, claro. Há as do Benfica, as do Sporting, as do Manchester United. Mas há uma que se destaca sempre. A camisola das quinas. A de Portugal. E não é de agora. É de sempre. Mas nestes últimos tempos, com a seleção a renovar e a manter-se nos lugares cimeiros, os miúdos voltaram a encher-se de orgulho.
O meu vizinho tem um filho de nove anos. Chama-se Tomás. O Tomás respira futebol. Sabe todos os jogadores da Liga Portugal, decorou os números das camisolas da seleção e passa os serões a ver golos no YouTube. O quarto dele é um museu: bandeiras, cachecóis, uma bola autografada pelo Jonas (já não joga, mas o Tomás não quer saber). No Natal passado, pediu uma coisa. Apenas uma. A camisola nova de Portugal. A vermelha com o rebordo verde, a que a equipa usou no último Europeu.
O pai foi ver preços. Assustou-se. Como é que uma camisola para uma criança pode custar tanto se ela vai crescer no espaço de meses? Como é que se justifica gastar dinheiro que faz falta para outras coisas? Ele hesitou. Até que a mãe do Tomás teve uma ideia. Não comprou a oficial. Comprou uma alternativa. Quando o Tomás abriu a prenda, os olhos brilharam na mesma. Vestiu-a instantaneamente. Não a tirou para o almoço de Natal. Nem para a sesta. Dormiu com ela. No dia seguinte, já estava no quintal a bater penáltis, com a camisola das quinas a ondular ao vento.
E o pai aprendeu uma lição: o que importa não é o selo de autenticidade. É a alegria. É o miúdo sentir que veste as mesmas cores que o Bernardo Silva, que o Ronaldo (agora o mais velho, mas ainda o ídolo), que o João Cancelo. E que ao vestir aquilo, pode correr mais, saltar mais alto e marcar aquele golo de que tanto precisa.
Portugal tem tido uma trajetória interessante. Depois do Euro 2016, a fasquia ficou alta. Mas as novas gerações não se lembraram só desse título. Elas viram a Liga das Nações, viram os jogos grandes, viram o país a vibrar. E mesmo quando a seleção não ganha, os miúdos mantêm-se fiéis. Porque ser português não é só ganhar. É sofrer, é cantar, é estar lá sempre. E a camisola representa isso.
O momento atual da seleção é de transição. O Ronaldo já não é o mesmo, mas continua a ser um símbolo. Os miúdos adoram-no, mas também já adoram o Bruno Fernandes, o Rafael Leão, o Gonçalo Ramos. Cada um com o seu estilo. O Leão, com aquele dribbling desajeitado mas eficaz. O Bruno, com aqueles remates de longe. Há heróis para todos os gostos. E a camisola de Portugal é o elo comum.
Há também o outro lado. As raparigas. A seleção feminina tem crescido a olhos vistos. A Diana Silva, a Kika Nazareth, a Carolina Mendes. Pequenas craques que as miúdas de hoje veem como espelhos. E por isso, cada vez mais meninas pedem a camisola de Portugal. Não a querem cor-de-rosa. Querem a mesma. A vermelha. A das quinas. A de todos.
Uma mãe de Cascais contou-me que a filha, de dez anos, não larga a camisola de Portugal. Usa-a para ir à escola por baixo do casaco. Usa-a ao domingo para ver os jogos com o avô. Usa-a até para fazer os trabalhos de casa, diz que lhe dá sorte. A mãe ri-se e diz que foi das melhores compras que fez. Não foi cara. Mas fez a diferença.
Quando um pai ou uma mãe procura por "Camisa de futebol Portugal Infantil", não está à procura de luxo. Está à procura de um sorriso. De uma forma de dizer ao filho: "Acredito em ti." Porque o futebol, para as crianças, não é um negócio. É uma paixão. É a primeira vez que vibram com um golo. É a primeira vez que choram com uma derrota. É a primeira vez que percebem o que é pertencer a um grupo, a um país, a uma história.
E depois há o preço. As camisolas oficiais são caras. Todas o sabem. As marcas impõem valores que não fazem sentido para quem tem filhos que crescem num piscar de olhos. E, no entanto, as crianças continuam a querer. E os pais continuam a querer dar. O truque é saber onde procurar. Existem opções para todos os bolsos. O importante é que a camisola tenha as quinas no sítio certo e a cor certa. O resto é conversa.
Por isso, se o vosso miúdo vos pedir a camisola de Portugal, não lhe digam que não. Encontrem uma maneira. Ele não vai verificar a marca. Ele vai vesti-la, vai correr para o quintal, vai marcar um golo imaginário e vai virar-se para a vossa janela a festejar. Nesse momento, nem vai lembrar-se do preço. Nem vocês. Só vão ver o vosso filho feliz. E isso não tem preço. Nem oficial, nem oficioso. Apenas verdadeiro.






























































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































